O Brasil acordou hoje com gosto de mel na boca.

A elite industrial brasileira, ao menos o que dela resta, desfechou contra-golpe mortal nos interesses financeiros que alimentaram a fogueira do Golpe de 2015. E só o fez porque foi atacada. O Ministro Fachin, coordenador da operação Lava-Jato, negou pedido de prisão preventiva solicitado pelo MPF para os controladores da megacorporação de capital nacional. Na sequência, o abate inclemente do plantel de políticos que ocupa o núcleo de poder no país.
O emprego de tecnologia de espionagem pela empresa familiar foi direcionado para obtenção de provas irrefutáveis, confissões empacotadas para a mesma mídia corporativa, co-autora do Golpe de 2015.
O efeito mais imediato parece o fim da agenda neoliberal, as tais “reformas” trabalhista e da previdência. Tchau, queridas. Venceram os sindicatos e demais forças da sociedade organizada, que se levantaram contra tamanha imposição em momento de crise.
Os economistas “de mercado” vão repetir, ao longo do dia, com sinais de tristeza e desolação, que havia uma recuperação econômica em curso e que esta foi abortada por um sistema político que merece ser inteiramente renovado. Em recente artigo publicado no Brasil Debate (http://brasildebate.com.br/fim-da-recessao-ou-ilusao-estatistica/), a professora E. Dweck mostrou que esta “recuperação” é, na realidade, uma ilusão. Não obstante, o “mercado” passará a levantar nomes com respaldo da mídia, de preferência com imagem de empreendedor(a) ilibado(a). Aliás, exatamente como em 1989/90.
A saída do Vice-presidente será renunciar. Imediatamente. Se não o fizer, exporá de maneira irrecuperável o PSDB como partido corrupto e articulador do Golpe de 2015.
A saída já vem sendo antecipada por alguns observadores mais bem posicionados. Teremos a escolha de um nome, de maneira indireta pelo Congresso, que possa ser considerado pelas partes, nesta altura em frangalhos, como elemento catalizador de um pacto político para o país. Eu aposto no ex-Ministro N. Jobim, que reúne as prerrogativas de ex-ministro do STF, ex-ministro de Lula e FHC e membro do PMDB.
Estava claro que a autocracia promovida pelos banqueiros não poderia se sustentar historicamente. Para que qualquer pacto político seja crível, será necessário reconduzir ao poder as forças que foram deslocadas violentamente pelo Golpe de 2015. Não apenas a fração mais bem sucedida da burguesia industrial brasileira, mas igualmente seus lideres políticos.
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