Hipóteses para a América pré-colombiana

Os humanos têm sido capazes de se adaptar a mudanças climáticas e a eventos catastróficos desde o início do povoamento na Terra há cerca de 2,6 milhões de anos atrás.

Em algum momento entre 14.000 e 12.000 antes do presente (AP), evento extremo causou impacto sobre o sistema climático global. Uma hipótese parece ser a mudança, em até poucas centenas de anos, na orientação do eixo magnético em relação ao eixo de rotação do planeta.

A extinção de herbívoros de grande porte (megafauna) é ainda um mistério, dado que há evidências de que houve morte súbita de muitos indivíduos aparentemente saudáveis. Nestas circunstâncias pode-se deduzir que o sistema climático experimentou configurações bastante fora dos padrões de comportamento conhecidos, com ventos erosivos, chuvas abundantes, duradouras e secas prolongadas. Ventos e marés podem potencialmente ter afetado complexos urbanos litorâneos anteriores ao “dilúvio”.

Sob ameaça, a espécie humana foi levada a movimentos migratórios que interferiram sobre a organização social anterior. Esta ruptura com a ordem anterior está na origem das civilizações pré-colombianas, no momento em que a corrente migratória siberiana ainda não se encontrava completamente estabelecida nas Américas. Ou seja, as hordas siberianas possivelmente contribuíram para desordenar antigas sociedades complexas da América do Sul e dar origem às culturas que os europeus encontraram 10 milênios depois.

Aqueles que os antepassados dos Tupy-Guaranis encontraram na América do Sul se constituem em elos com a pré-antiguidade, organizando-se em centros urbanos em Caral, no Pacífico, como “povos da floresta” e no litoral, como “povos dos Sambaquis”. Os conhecimentos arqueológicos acumulados, nos últimos anos, em arte e construção civil, medicina e astronomia, mostram sociedades complexas e, de certa maneira, interligadas.

Sob o ponto de vista da engenharia tem sido muito difícil se explicar como foram erguidos tantos monumentos líticos nos Andes com os recursos tecnológicos que supomos estivessem disponíveis. Uma hipótese é que as altas montanhas podem ter sido consideradas lugares seguros frente a territórios litorâneos, o que se provou correto face a elevação dos níveis dos mares desde o início do período interglacial (~150 metros).  Igualmente a engenharia não explica como em diferentes lugares do mundo se observam técnicas construtivas comparáveis (pirâmides, muros ciclópicos etc).

Considerando-se a mitologia dos índios conforme cronistas portugueses e espanhóis relataram nos anos de conquista, igualmente é possível se reconhecerem traços comuns entre as crenças andinas e litorâneas.

Portanto, a hipótese que parece crível é que os povos anteriores a chegada dos antepassados dos nossos índios já não dominavam a tecnologia necessária para se erguerem boa parte dos monumentos encontrados principalmente nos Andes, sendo estes por sua vez legados de civilizações anteriores e ainda mais antigas. Os Incas buscaram reunir fragmentos de conhecimentos anteriores como objetivo último da própria organização social. A sociedade Inca ergueu laboratórios (Machu Picchu etc) para ensino e pesquisa de técnicas construtivas, medicina, agricultura, astronomia etc. No entanto, este esforço “científico” jamais esteve ligado a qualquer ideal produtivista !

Há cerca de 14 mil anos AP hordas mongólicas buscaram o litoral como fonte de alimento e rota de migração. Com isso, expulsaram gradativamente os povos anteriores para o interior, desenvolvendo-se, no território brasileiro, como tronco linguístico-cultural Tupy-Guarani.

O confronto com as demais etnias incumbentes (povos Jê, Aruaque, Botocudos e outras denominações) levou ao extermínio de muitas culturas. Particularmente quando os portugueses aportaram no território brasileiro. A suposta cordialidade dos índios aqui encontrados teve como contrapartida apoio militar dos portugueses contra os adversários dos Tupy-Guaranis. Barganha bem mais vantajosa, alias, que as miçangas que se supõe em nossa historiografia tradicional.

A aliança militar se provou benéfica para os portugueses logo nas primeiras décadas da ocupação, quando os Franceses se localizaram onde hoje é a Baia de Guanabara. A aventura francesa foi reforçada por “índios” de etnias Jê, que viram no invasor europeu aliado com condições de resposta a ameaça Tupi-Portuguesa. Não fosse Araribóia, líder Tupi-Guarani, os portugueses teriam aberto de fato importante fratura em seus novos domínios.

Ou seja, a chegada dos portugueses ajudou a desorganizar boa parte de culturas remanescentes da pré-antiguidade sul-americana em nosso território. Neste sentido, cumpriu o mesmo papel que os espanhóis que, em campanha militar-religiosa comparável às cruzadas, reduziu a cinzas a memória e a origem da ocupação da América do Sul.

 

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