Eleição nos EUA e o 2017 brasileiro.

Há aqueles que acreditam no poder ordenador da economia dos mercados. Há aqueles que crêem na participação popular e enxergam democracia. Pois bem, há aqueles outros que acreditam em papai Noel, Duendes, etc.

Os mais realistas, contudo, percebem que Estados Nacionais estão a serviço de minorias prósperas, através do “apoio” ao grande capital, seja este latifúndio, industria ou banco. Ou seja, quem inventa o Estado Nacional é o grande capital, com o estrito interesse de enriquecer ainda mais as minorias já prósperas.

Nos EUA, o volume de recursos canalizados para o complexo industrial-militar no pós-guerra encontra-se apresentado na Figura 1. Conforme se pode perceber, em 2016 os gastos esperados com defesa aproximam-se de limite mínimo histórico (3,1% do produto).

A razão para a diminuição dos gastos militares nos EUA nos últimos 60 anos se deve ao aumento, exponencial desde então, da importância das finanças e dos bancos de investimento para a acumulação capitalista.

A partir de 1980 a banca anglo-saxônica  passou a canalizar volumes crescentes de lucros acumulados para a esfera financeira. Grandes corporações, mesmo as industriais, passaram a apresentar resultados financeiros comparáveis àqueles obtidos no cumprimento das atividades-fim, desincentivando-se  reinversão e continuidade dos investimentos.

Com isso, elevou-se o desemprego em todo o mundo e desencadeou-se ondas sucessivas de desmonte de ativos públicos, atendendo-se à demanda do setor privado por redução de concorrência e/ou destruição de capacidade instalada.

O cenário de elevação de impostos, inclusive nos EUA, foi apenas suficiente para que a banca privada avançasse sobre a poupança pública, incluindo-se massas previdenciárias e endividamento público crescente.

Naturalmente, este avanço se deu na contra-mão daquelas corporações que se beneficiaram historicamente da guerra fria e do impulso bélico norte-americano. Com a financeirização do capital e a ascenção da banca, houve prejuízo relativo para o complexo industrial-militar.

Figura 1 – Gastos Militares dos EUA em função do Produto

defense

Fonte: DoD

Tomando-se fornecimento de itens novos e pesquisa e desenvolvimento, usualmente apropriados pelos conglomerados industriais-miitares-tecnológicos nos EUA, o orçamento de defesa norte-americano reserva cerca de 150 bilhões de dólares. Caso dobrasse o percentual para cerca de 6%, mantendo-se as mesmas alocações, conclui-se que os interesses industriais deixaram de obter igual quantia como faturamento empresarial (Figura 2)

Figura 2 – Composição dos gastos militares nos EUA.

despesas militares 2015

Fonte: Business Insider.

Só para se ter uma comparação, a Lockheed Martin, gigante do setor de defesa, fatura anualmente cerca de 15 bilhões de dólares. Ou seja, a quantia anualmente “poupada” no orçamento deixa de produzir significativa acumulação nos bolsos dos senhores da guerra para, alternativamente, financiar o esforço da “diplomacia do dolar”.

Ocorre que Donald Trump parece defender exatamente o interesse da elite belicista e conservadora norte-americana. Assim como não me surpreende que a Inglaterra tenha feito uma guinada nacionalista e abandonado a UE exatamente pelos motivos belicistas que levam os EUA a retornarem ao cenário do Oriente Médio. Na defesa de Israel contra um Islã potencialmente nuclearizado.

Ou seja, há sinais de que a tal “crise mundial” passe a entrar em nova fase ao longo de 2017. Uma fase em que o orçamento público europeu e norte-americano passem novamente a apresentar aumentos de gastos militares. A saída do keynesianismo bélico na Europa pode seduzir muitos desempregados em países destino de refugiados islâmicos.

Brasileiros, prendam a respiração até lá. O neoliberalismo que aqui se manifesta está com os dias contados. A eleição de 2018 recolocará o projeto para o nosso país novamente nos trilhos e removerá, durante muitos e muitos anos, esta elite mesquinha e conservadora, sem limites para explorar o seu povo em nome de muito preconceito e odio pelo Brasil.

 

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