A ótica do povo, Moro.

O dia 16.03.2016 vai ser lembrado pelo vazamento e publicação, em velocidade midiática, do conteúdo de conversas telefônicas com envolvimento da presidência da República. Conversas que não incriminam ninguém, mas que pretendem causar impacto moral. E a midia concertadamente reproduziu a mensagem principal com a maior tipografia possível

O resultado, mais uma vez desastrado, de indivíduos vaidosos que serão esquecidos, foi a politização do Golpe em curso. Daqui por adiante, tudo o que o tal juiz poderá se contentar é com a vingança e o exercício do ódio sobre familiares. As manchetes, contudo, caberão à instituição preparada para o presente momento histórico. Nossos magistrados estão à altura da decisão que deve ser tomada.

E que decisão será esta?

O primeiro evento deve ser a decisão do Congresso quanto ao Impeachment. Isso deve durar entre dois e quatro meses. Lembra-se que este ano teremos eleições para cerca de 5.700 prefeitos e mais de dez vezes em número os vereadores. Estas eleições pressupõem alianças partidárias e, portanto, tudo deve estar resolvido até agosto, momento em que se iniciam as campanhas. Cinco meses distante do agora. Lembrando-se que teremos Olimpíada e, neste ano, a segurança pública e a mobilização das forças armadas estarão no topo. Supondo-se que o STF se pronuncie a respeito do caso Lula após a decisão de Impeachment pelo Congresso Nacional, tem-se:

  1. Com impeachment da presidente eleita pelo congresso, o Vice constitucionalista deve assumir como espécie de primeiro ministro, cujo gabinete deve ser formado principalmente pelo PMDB. Serão dois anos de transição com papel histórico de recompor o pacto político e retirar o país da recessão. Dois anos para consolidação de novas alianças, candidaturas e propostas. Caso fracasse esta tentativa, a integridade do pacto político será colocada a prova e pode resultar em confrontos políticos indesejáveis para a ordem social.
  2. Sem impeachment da Dilma, há maiores possibilidades de recomposição do pacto politico que resulte em politicas mistas, que reintroduzam mediante negociação, como foi no período Lula, interesses da indústria e da infraestrutura. Neste cenário, contudo, espera-se baixo desempenho relativo dessas políticas nos próximos 2 anos, dada urgência do imediatismo e baixa confiança do Governo eleito aos olhos do “mercado”.

No segundo cenário o PMDB parece menos exposto e a economia pode ter alguma reação sem que se tenha que mexer muito na máquina pública. Nas próximas eleições, em processo de resgate de normalidade para os mercados, o PMDB poderá celebrar livremente novas alianças.

No segundo cenário me parece que o STF pode encontrar maior conforto, dissipando-se a tentativa de Golpe e os excessos cometidos no judiciário. Com isso, o poder da República deliberará sobre seus próprios excessos, mais que sobre desequilíbrios entre os dois outros poderes.

Até aqui o tal juiz apoiou-se na publicidade e na delação como artifícios para aumentar sua própria importância histórica. Deixemos agora depurarem o assunto as nossas instituições.

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